Grêmio 115 anos: Uma filosofia de vida e religião de tantos imortais.

Eram 32 rapazes,  no dia 15 de Setembro de 1903, na Rua José Montaury, com o intuito de montar um clube de futebol. Eles nem sabiam que estavam tecendo o que seria uma razão de uma nação. E que paixão!

 

Como explicar uma nação que move um clube pelo estado, país, continente, até o outro lado do mundo?

Como explicar uma nação que, mesmo em tempos difíceis, lotava o seu estádio?

Como explicar uma nação que move barreiras e nunca deixa de acreditar?

Um Grêmio de todas as cores:

Do Juarez ” o tanque”, Everaldo, Tarciso e Roger Machado. Um tricolor do Alcindo ”o bugre”, um Grêmio loiro do Nardela, Paulo Nunes e Lucas Leiva. Somos do Grêmio dos Uruguaios, Argentinos e Paraguaios como Ancheta, Hugo de Léon, Arce, Rivarola, Kannemann e Lucas Barrios. Somos de um clube dos europeus Aroldo Boore,  Edgar Booth, Gustavo Mohrdieck e George Black. Mas, de uma coisa é certa: Somos, acima de tudo, o povo gaúcho. O primeiro clube a fazer o Rio Grande do Sul a ser reconhecido internacionalmente.

Ser gremista não é um sentimento maior, nem menor… é um sentimento diferente. Um povo que lembra de seus primórdios, desde 1903. Quem nunca, ao sentar com sua família, já não lembrou de mitos como ”Lara o craque imortal”? Quem nunca lembrou de Baltazar, dizendo ”Deus nos reserva algo melhor”? Ou das vezes que Renato prometeu e o fez cumprir?

É um Grêmio que, ao passar dos anos, faz uma história linda  e incrível.Temos ídolos, dos quais nunca nos esquecemos.

Ser gremista é acordar de bom humor quando o time ganha e mau humor quando o time perde.

A pé, em pé, caído em segundas divisões, primeiro em Libertadores e Mundial, veterano copeiro, imortal vencedor de jogos eternos. Aflitos e Olímpicos, Moinho dos Ventos e Arenas, Baixada e no Humaitá, azedo na Azenha, doce e amargo, Grêmio e Tricolor.

Do projeto do Dr. Hélio Dourado, vimos Yura como um cometa calar aqueles que nos incomodavam.

Ah…Hélio e Fábio Koff.

Até ganhar o Brasileiro de 81 não era visto por Rio e São Paulo. Baltazar, o artilheiro de Deus, não só deu um chute e profetizou sua frase para a história, como apresentou um tricolor imortal e aguerrido para o Brasil.

Quando fez a América, com sua garra, ficou conhecido pela sua coragem. Foi a ‘batalha de La Plata’ até a cabeçada de César, desafiando as travas da chuteira de um Uruguaio e ao fim o sangue de De Léon. Foi com a pachorra de Renato que fritou o Hamburgo passou a ser mais respeitado. Óh, Renato… o destino te reservou ao Grêmio.

Quando volta um mandatário, ninguém olhou. Dr. Fábio e Cacalo fizeram questão de escrever mais algumas páginas.

Ninguém dava crédito ao Grêmio.  E então fizemos de cangaceiros a virarem ‘cangaceiros dos pampas’, estilos de playboys, virarem ‘ diabo loiros’, um simples cruzamento virar uma obra prima em uma cabeçada e um ser humano virar uma múmia. Um simples técnico, com o seu estilo chucro, virar um brasileiro com olhos de todo o Brasil. Só passou mesmo a patrola na patrulha paulista e carioca quando foi parrudo e marrento ganhando as Copas do Brasil. Quando não era favorito para a mídia. Ninguém dava bola ao Grêmio. Mesmo campeão da Copa do Brasil em 1989. Mesmo bi em 1994. Tri. Tetra. Mesmo campeão da América em 1995. Mesmo vice nos pênaltis para o grande Ajax. Muitos davam perdido o título brasileiro de 1996 até o chute final de Aílton.

 

 

 

Comecei a ser gremista pelo meu avô, escutando os rádios na gaúcha, com Paulo Sant’Ana fazendo coro para a torcida se levantar, no velho olímpico. Eram bons tempos, em que pisávamos no nossos adversários, sem dó.

Vi um Grêmio quebrado, logo após os anos dourados. Em 2001, vi a maestria de um Grêmio, do jovem Tite, com um esquema que foi usado na Copa de 2002.

Depois eu aguentei no osso, períodos em que vi meu tricolor quebrado em uma seca de títulos. Aguentei o amargo rebaixamento, entrei em desespero em todo o ano na segunda divisão, vi nos demais anos um rival forte e meu time em um processo de recuperação. Sentia que alguma vez, algo bom iria acontecer. Iríamos voltar a ganhar. O bem iria se sobrepor o mal, como nos velhos tempos.

A chegada do Renato, em 2010, como treinador, foi algo que me fez repensar. Como gostar tanto de uma pessoa, que nunca viu na vida e nem ao menos viu jogar? Óbvio, sabia que tinha feito o maior gol da história do meu time do coração, mas parecia algo profundo demais, que ele era aquém e estava vindo para o povo, como se alguém que estivesse trazendo algo maior junto com aquilo que tu espera.

Ah… tudo se explicava. Tivemos outra passagem em 2013, depois ele saiu, voltou em 2016, mais sério talvez, e bem diferente. Extremamente diferente. A paixão nunca acabou. Um treinador esperto e, por vezes, até arrogante. Ele simplesmente deu razão para uma nação sofrida e uma geração que amava um clube e mal tinha visto ganhar algo. Somos pentacampeõs da Copa do Brasil, Tricampeões da Libertadores, bi da Recopa e alavancadores em GRE-nais importantes. É… esse clube que tanto amamos, nunca deixamos de apoiar.

Nossa geração, se orgulha e muito, da vez em que passamos de 4 mil sócios para 50 mil sócios em 2005. Era um Grêmio quebrado, sem dinheiro e com o quadro social apenas para classes maiores. Deixamos de comer o pão de cada dia e colocamos na nossa filosofia de vida, nos associamos e enchemos o Olímpico. Era um Grêmio pobre tecnicamente, mas que foi empurrado pela torcida.

Esse amor que nutrimos pelo Tricolor não exige títulos importantes, consagração de grandes craques ou jornadas épicas. Para contar com a nossa devoção o Grêmio só precisa existir. Só precisa ser azul, preto e branco. Vamos amá-lo e respeitá-lo sempre, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença, “e nem a morte vai nos separar: até do céu eu vou te apoiar”.

Essa paixão, virou razão de uma nação, foi consagrada do Rio Grande até o Japão. América se curvou e o mundo inteiro aplaudiu a estrela negra, representada por Everaldo em nossa bandeira,  orgulho do Brasil.

” Ser gremista é o sonho delirante de não conseguir ser na vida alguma outra coisa”. Por isso eu digo:

115 anos de muita história. Quis o destino que fosse no mês farroupilha, o mês da tua gente e do teu povo. E não no mês da mentira. Vivemos tudo contigo, desde sorrisos até choros e lágrimas.

Parabéns, Grêmio. ”Os feitos da tua história, cantam o Rio Grande com amor”. E, assim sendo, seguimos juntos:

”Até a pé nós iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver…”

 

 

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